quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Águas entre os dedos...

Ainda sentia a água escorrendo entre os dedos. Notei a força do vento batendo em meu rosto enquanto o sol invadia meu quarto por entre as frestas da persiana. Um abraço cruzava meu corpo descamisado, senti uma mão encontrar com meus dedos como um cinto de segurança. As chaves trancavam as portas do prédio, e o carro esperava por mim ali mesmo no meio do asfalto. Andante, eu vi um farol vermelho pedir-me pra que não o esperasse, e os papeis caiam da pasta de uma velhinha de olhos assustados, ainda vi que usava cabelo Chanel quando sofria o impacto. O som da aeronave rompia o silêncio do céu azul-verde, e a asa do voo da águia rompia as nuvens em flocos de creme-avelã. A noite brincava com a lua de esconde-esconde. E eu? Estava ali bem debaixo do chuveiro frio cantando Velha infância tribalisticamente. Calcei uma meia preta e outra escura, pouco importava. Tomei um copo de leite morno com um fio de mel. Não estava só: cobri-me com um lençol de algodão e acordei nesse instante sonhando que alguém estava aqui pra lavar minhas mãos.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Morre José Saramago, um transgressor entre vírgulas

Conheci José Saramago quando tinha cerca de 18 anos, já tarde para um cara como eu. Também não faz muito tempo assim. O fato é que foi um professor de história que havia me indicado. Foi numa daquelas aulas em que o professor, muito empolgado sobre a história européia contemporânea, a influência da igreja, a hipocrisia social portuguesa, falava da importância da literatura, da arte como discurso transgressor. E eu nem sabia o que era um sujeito transgressor. Perguntei-lhe, e me respondeu: quer saber o que é um transgressor? Leia Saramago!

Li o Memorial do Convento (1982). Confesso que minha maturidade literária fragilizada e a estética do português distinta da encontrada noutras obras me assustaram. Quase nada entendi. Dois anos depois, reli a obra. Um ganho indiscutível. Daí fui mergulhar no Evangelho Segundo Jesus Cristo (1991). Outra constatação de que eu pouco sabia sobre a vida, sobre a força do catolicismo e seu discurso sobre nós por muitos séculos. Daí, lembrei-me do professor de história. E entendi porque Saramago é um escritor transgressor. Indiscutivelmente o maior transgressor da língua portuguesa, pois não calou suas palavras entre dedilhados toques na máquina, entre uma vírgula e outra, um pensamento e outro, um amor pelas palavras lusófonas.

Agora começo a ler Ensaio sobre a cegueira (2004).

Quando eu estava concluindo a faculdade eu havia criado um blog de cujo domínio acabei com o tempo desgostando. Naquela época, descobri que ele também escrevia o Outros Cadernos de Saramago. Quantas vezes eu acompanhava suas sábias palavras na página!

Hoje, com a notícia da morte do escritor, volto lá, depois de mais de um ano sem visitá-lo, e dou-me de cara com uma lição para os homens deixada por dirigentes da Fundação José Saramago. Eis abaixo seu recado para nós:

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Pensar, pensar

“Acho que na sociedade actual nos falta filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de refexão, que pode não ter um objectivo determinado, como a ciência, que avança para satisfazer objectivos. Falta-nos reflexão, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, nao vamos a parte nenhuma.”

(Revista do Expresso, Portugal (entrevista), 11 de Outubro de 2008)

jr

sábado, 29 de maio de 2010

O Outro – uma autoconstrução

O Outro estava logo ali olhando para ti quando tu achaste que te desejava. Tu continuas a pensar que ele te deseja, porque ele é diferentes de todos os Outros. Tu insistes a olhar, às vezes desvias o foco; miras outras margens, mas uma força te puxa para o outro lado onde ele está. Tu o conheces mais do se possa imaginar, tu sabes do toque que ele carrega entre os dedos, tu sabes das mãos fortes que insistem em continuar. Tu também podes evitar que elas continuem, mas tu insistes pensar que há uma força muito maior que te prende a elas. Tu pedes para continuar. Não, tu até acredita que não tem palavras para impedir que ele se aproxime e te mantenha bem junto. E pior: tu achas que tuas próprias palavras são vazias de sentido nesta hora. Ele não tira os olhos do teu alcance, poderia fazê-lo; mas é masoquista, tu julgas. Tu és covarde porque não te afastas por conta própria e espera que alguém te chame para sair dali. Mas ninguém te chama, e tu não partes, preferes mirar, mesmo tentando fingir que olha por entre seus ombros para alguém atrás. Ele olha para trás, não há ninguém, e ele é o Outro por quem tu estás sob forte atração. Tu o admiras pelo corpo que tem, pelo cheiro que expele, pelas roupas que veste, pelo modo como fala, pela boca , pelos olhos. Mas tu não percebes que em tudo o que se refere a ele não há defeitos. Tu estás sob a cegueira da paixão por este Outro. Não te dás conta de que procurar a cura é abrir-te à possibilidade de descobrir que apenas tu o desejavas, mas ele, o Outro, é somente uma fantasia que tu criaste quando o viu passar por ti e deixar o perfume do desejo te contaminar.

jr

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Não sou indestrutível, nem invencível...

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Arthur... meu pequeno! Não sou indestrutível. Não sou invencível. Sou instável, imperfeito... Um tornozelo fraturado, um coração destruído. Te amo, mas sei que ainda preciso crescer. Meu vingador mascarado. Eu voltarei. Me ensinará a ler ao contrário? Voltarei à árvore outra vez, contigo.

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Arthur ... mon petit! Je ne suis pas indestructible. Je ne suis pas invincible. Je suis instable, l'imparfait ... Une fracture de la cheville, un cœur brisé. Je t'aime, mais je sais que j'encore besoin de grandir. Mon vengeur masqué. Je reviendrai. Apprends-moi à lire à la place? Je vais revenir à l'arbre de nouveau, avec vous.

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(L'Homme de sa vie, 2006, Zabou Breitman)

Imagens do filme

terça-feira, 30 de março de 2010

Dourado, o herói com algum caráter

Heróis existem...e a massa brasileira mostrou que acredita neles, ou melhor, nele! A massa brasileira constrói heróis neste país onde não teve uma história de heróis construído de baixo para cima, mas imposto de cima para baixo. Se no Brasil há heróis ou houve, perguntemos ao povo. Ninguém sabe seus nomes... Hoje, os milhões de brasileiros que perderam seu tempo assistindo à “luta” do Herói-Dourado por 1,5 milhão mostraram o retrato de uma sociedade movida pela imagem do corpo e mente vazia de saber capaz de emancipar, de educar, de criar, de pensar sobre. Voltarei em breve para concluir esta crônica...

segunda-feira, 8 de março de 2010

"Mulher é desdobrável." - Eu sei.

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Dedico este poema à minha mãe, Bernardete

- não só neste dia de todas as mulheres!

xxxxxxx Com licença poética

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Quando nasci um anjo esbelto,

desses que tocam trombeta, anunciou:

vai carregar bandeira.

Cargo muito pesado pra mulher,

esta espécie ainda envergonhada.

Aceito os subterfúgios que me cabem,

sem precisar mentir.

Não sou feia que não possa casar,

acho o Rio de Janeiro uma beleza e

ora sim, ora não, creio em parto sem dor.

Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.

Inauguro linhagens, fundo reinos

— dor não é amargura.

Minha tristeza não tem pedigree,

já a minha vontade de alegria,

sua raiz vai ao meu mil avô.

Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.

Mulher é desdobrável. Eu sou.

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Fonte: Imagem
jr

segunda-feira, 1 de março de 2010

Le fabuleux destin d'Amélie Poulain

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Fazia tempo que eu havia assistido ao filme Le fabuleux destin d'Amélie Poulain (diretor: Jean-Pierre Jeunet, 2001). Acho que foi por volta de 2003 quando eu entrava na faculdade. Um professor de teoria da literatura havia comentado com muita empolgação na aula. Assisti ao clássico e fiquei matutando, coisa de matuto mesmo, na época – não passou disso. Porém, ontem voltei a vê-lo... daí entendi por que um colega lhe havia assistido por 20 vezes (exageros?).

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Fiquei pensando na riqueza semiológica da obra. Desde menino, sempre gostei de desvendar segredos por meio de pistas, de textos, de provas, de leituras, de caminhos obscuros... E qual criança não gosta dessa metodologia das descobertas?

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Voltando... O fabuloso destino de Amelie Poulain é realmente fabuloso em muitos aspectos, sobretudo no que tange à arte de criar pistas por meios de diversos signos. A linguagem visual acaba sendo um dos recursos que prendem o espectador do início ao fim da película, tendo em vista que a doce Amelie (Audrey Tautou) sabe dizer quando as palavras não cabem ao momento, à situação; sabe ler quando não há nada verbal que lhe posso ajudar a traduzir o outro, o mundo. E das frases do filme então nem vou falar...

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Ontem mesmo, quando terminei de ler os créditos, este filme levou O Código Da Vince ao escanteio da minha lista. Calma! Não estou pondo as duas obras na mesma altura; mas, tratando-se de filmes ricos semiologicamente, eu havia feito uma pequena relação: Em nome da rosa (Jean-Jaqcques Annoud, 1986), A vida é bela (Roberto Benigni, 1997) e O Código Da Vince (Ron Hovard, 2006).

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Agora a ordem de filmes na categoria riqueza semiológica, para mim, fica assim:

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1) Em nome da rosa

2) Le fabuleux destin d'Amélie Poulain;

3) A vida é bela.

E O Código Da Vince, infelizmente, foi para outros espaços.

E você... qual seria a sua lista?

jr

Fonte imagem: www.adorocinema.com

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Tudo ao mesmo tempo agora

(Música: David Cook)

Queria poder dizer desde aquela tarde tudo o que em ti me faz pensar em mim agora. E quando sinto você por perto, de algum modo, me perco por não te ver mais na multidão. Não sei o que acontece. Queria sentir o teu cheiro mais intenso menos do que sinto o tempo todo sem ter você ao certo agora. Queria estar menos longe quando é você que deveria estar mais perto de mim agora. Você me entende então? Sei que não é fácil compreender aquilo que nem as palavras podem definir. Isso é muito ruim. Deixa a gente sem domínios das coisas, de nós mesmos. Olha para mim quando tento te mirar uma vez agora, do mesmo jeito que olhamos o pôr-do-sol lá atrás do cais do porto naquela tarde que não esqueço nunca. Não é belo o brilho forte quando eles tocam em nós? É assim que vejo teus olhos, embora eles nunca toquem os meus como eu desejo em todo tempo agora, porque se foram faz uns dias. Eu realmente andei pensando que não podíamos ter nos visto. Sei que é bobagem, mas talvez fizesse mais sentido para mim. Queria rasgar as cartas e os poemas, jogar o anel nas profundezas. Quem sabe isso pudesse diminuir um sentimento que é só meu agora? Mas o que adianta isso neste instante, se as decorei e ainda tenho em mente a cor do topázio do anel de ouro branco que miramos na vitrine. Não adianta apagar aquilo que se fez marca em minha vida o tempo todo e tudo ao mesmo tempo agora. Hoje eu queria me tornar alguém bem mais forte e olhar pra ti como alguém que passa por nós em meio à multidão e vai embora. Mas não consigo já que foi você que me encontrou na multidão, me tocou, depois cuidou de ir embora numa tarde de cinema e sol se pondo. Lembra? Ainda me lembro como se fosse realmente neste momento agora, e me sinto perdido desde o tempo daquela tarde na multidão. Queria você e tudo ao mesmo tempo agora que pudesse me trazer você do meio da multidão. Parece que faz mil anos que você me deixou aqui e foi embora, e realmente de sua vida me excluiu e foi embora.

jr

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Pour une nouvelle amie

Hoje estou novamente feliz. E para brindar com você esta felicidade, eis The Piano que roubei do blog (Accrochez-vous au mot) de minha mais nova amiga Renata, professeur de la langue française. (Se ela me denunciar pelo roubo, eu a denuncio ao YouTube.)

Sempre valorizei minhas amizades... Eu sabia que, mais cedo ou mais tarde, quando estivesse triste e querendo ouvir uma palavra de carinho, levar uma bronca por ter feito alguma besteira e, em seguida, ouvir um conselho, os amigos seriam os mais indicados para isso. O bom é que cada amigo serve para nos ajudar de alguma forma numa questão específica; e quando um não está presente para tomar uma cerveja, bater um papo, rir, chorar, trocar um livro etc., o outro pode estar por perto ou atende ao celular nem que saiba para nos dizer: “oi, amigão/amigona, entra no MSN...”.

O problema é quando todos somem. Este 2010 será(ou já começa a ser) um ano muito intenso para mim. Preciso escrever minha dissertação, preciso escrever, preciso ler, escrever, resenhar, analisar, escrever, refazer, desfazer, pensar, rever, analisar, analisar, digitar, explicar...enfim, estes são meus verbos de cabeceira para o ano todo...enquanto um verbo e outro me vem a cabeça, nada melhor que os amigos para nos fazer rir, viver...parar com as autocobranças. Se meus amigos da BA, que amo muito não podem tomar uma friota (como diz meu brother Henrique), pelo menos vou contar com alguns novos amigos daqui de Sampa.

Ah, aviso-lhes, desde já, que podem contar comigo...

Hoje estou realmente feliz, mas não prometo estar sempre assim...

jr

domingo, 20 de dezembro de 2009

Praça da República de Valença: uma fonte sem cascata

(Foto N. Ribeiro)

O tom de fim de ano, às vezes, me incomoda, sobretudo porque começo a pensar sobre o tempo e resgatar algumas memórias. Já disso isso antes aqui, mas não serei tautológico. O fato é que - depois de quase um ano longe de casa, da cidade que nos viu crescer, da família, dos amigos - bate uma alegria por rever tudo isso e uma tristeza de muita coisa já não está mais em seu devido lugar. E a praças vão ganhando novas molduras...

As praças sempre me dizem alguma coisa, me tocam e me faz pensar. E a Praça da República, no centro de Valença, me leva a tempos de saudade. Lembro-me que era ali que, em fins de ano, juntávamos alguns colegas para conversar, falar besteiras, contar histórias, dizer muito do que vivíamos. Lembro-me também, pouco depois, início dos anos 2000, quando fazíamos colegial, que revíamos colegas adiantados nos estudos já falando de suas experiências em suas faculdades, enquanto nós nos projetávamos para viver logo a seguir um tempo de facul. Dez anos! Bem, isso era estranho para nós, mas não impossível, afinal era um novo objetivo a ser traçado. Para alguns a faculdade representava status, para outros, distinção entre o povão e o povinho, os menos pobres o os menos pobres, o medíocre e os dotados de saber. E que saber! Enfim, a praça representava, em outras situações, uma passarela para dondocas cheias de egos, mas vazias de saberes. E dez anos se passam num bater de pestanas.

Pouco depois estava eu saindo dali, e a Praça da República tornara-se cada vez menos familiar a mim - dadas as circunstâncias acadêmicas e profissionais. Os amigos e colegas também já não a frequentavam por estes ou outros motivos.

Logo o prefeito satisfez sua vontade extinguindo do espaço público o coreto. Sim, coreto. Cidades antigas costumam ter coretos. Que coisa mais antiquada uma “piiii”! Gostava sim do coreto, e daí? Então... veio outro prefeito e desfez o grande feito do anterior, mandando erigir um coretão - feio de doer! Não demorou nada e, achando que este duelo de egos precisava de muitos espectadores, um terceiro prefeito veio e refez a praça, deu uma nova cara, levou ao chão algumas árvores balzaquianas, desfez do coreto, armou uma arapuca de concreto e criou uma fonte luminosa, que vive seca e sem nada iluminar. Ao redor da praça algumas construções: Igreja Batista, uma academia, algumas farmácias, duas clínicas, um prédio de dois pisos, uns barzinhos, a velha sorveteria, uns casarões antigos (prestes a desabar?) contrastando com a “modernidade”, e o teatro dos anos 40 resistindo. Nunca o vi aberto a visitas muito menos a algum espetáculo, acredite, mas está lá mumificado, cuja fachada aparece sob uma tinta envelhecida. Ah, dizem que lá funciona o Juizado de Menores.

Andei pelos quatro cantos da praça há poucos dias à noite e tentei achar algo familiar àqueles tempos de colegial. Quase nada estava lá, exceto os casarões e o teatro; e este último não me resgatou nenhum sentimento nostálgico, afinal em nada contribui para minha cultura pessoal, já que perdera sua função muito antes de eu andar por ali ainda rapazote.

Enfim, a ironia: nestes 10 anos, a praça viu praticamente quatro mandatos municipais e passou por várias plásticas; hoje, vejo algumas luzes e uma árvore natalina figurando a maquiagem de seu rosto modernizado. Algumas crianças brincam enquanto seus pais conversam sentados nos bancos de mármore e jogam palitos de sorvetes no chão – quase não há baldes de lixo. Não se veem adolescentes paquerando como antes, muitos menos adultos. Por outro lado, a fonte luminosa aparece perenemente escura e sem cascata... o coreto já não faz parte de seu rosto, pelo menos como antes.

jr

Fonte: 2ª foto.