"Andei pensando em alguma coisa,
mas preferi me calar;
então me pus a pressionar
algumas teclas
porque há algo em mim
que não para de pulsar
e até agora isso ainda
me inquieta."(Jocenilson Ribeiro)
Professora se exibe em festa da banda O Troco, na Bahia, e a sociedade cai em cima da coitadinha a pauladas verbais em pleno século XXI; isso porque teve sorte ao fugir das pedradas.
Uma professora de educação infantil, licenciada em Pedagogia, depois de apresentar uma performance dançando a música “Todo enfiado”, em junho deste ano, acabou perdendo o emprego por não servir de exemplo para a educação brasileira, como argumentam as más línguas. Eis mais uma prova de que a corda quebra sempre de um lado, o do mais fraco. No caso da professora, não foi de fato uma corda, mas um fio dental esticado pelo cantor pagodeiro que quase a fez dançar na boca da garrafa.
O século das luzes
Escuta-se muito a expressão “em pleno século XXI” em diversas situações em que se referem aos problemas sociais do mundo inteiro. Tal expressão parece marcar uma mudança de perspectiva do olhar do homem sobre o meio, avanços na tecnologia, novos comportamentos, valores, postura; estrutura midiática muito mais avançada, defesa da liberdade sexual, respeito às diferenças etc. Mas poucos se dão conta de que não houve nenhuma ruptura gritante do século passado para este capaz de marcar a história e inaugurar um novo mundo... talvez a derrubada das Torres Gêmeas tenha sacudido a mídia e gerado alguns burburinhos sensacionalistas, fora isso, nada mudou. Os problemas persistem, os políticos não se entendem, nova gripe aparece, a crise se repercute, Michael Jackson continua vendendo, e o pagode permanece empregando uns e desempregando outros. Educar que é bom, nada!
Se este século XXI é o do puritanismo social é também o da hipocrisia, não o das luzes; se estamos na época do “pode tudo”, é também o das limitações, proibições, censuras. controles .Se aplaudimos a lei da liberdade de expressão, condenamos a expressão livre do corpo nos estilos pagode funk ou forró eletrônico quando há uma pobre que dança de graça; se um destes gêneros musicais usa uma letra (quando há letra) capaz de depreciar a imagem da mulher e deseducar as crianças brasileiras, ninguém reclama, mas se uma professora em seu horário de “recreio” usa o corpo pleiteando um mísero espaço de fama entre os amigos, é exposta ao ridículo e perde seu “ganha-pão”. São incontáveis as pessoas que dão audiência e pagam bem o pornopagode para verem as dançarinas (e os bailarinos) apresentarem suas performances exibindo seus corpos quase nus. As festas de pagode, funk e outros estilos similares estão sempre lotadas pelos mesmos que acham inoportuno uma pessoa subir num palco e se expor como fez a professora. Reação desse tipo só nos mostra o quanto há pessoas hipócritas, dementes e, no mínimo, contraditórias na sociedade.
A imagem do santo professor
Um acontecimento inusitado que expõe a pedagoga ao ridículo e ganha espaço na mídia impressa e televisiva só serve para duas coisas: 1) dar pontos em audiência a esta mídia que não tem se preocupado com a informação educativa aos jovens; 2) dirigir a atenção das pessoas para uma questão fácil de se resolver na educação: demissão do profissional que não consegue ser santo. Não ganhamos nada com a dança da pró e nem perdemos, ela foi quem dançou... e dançou duas vezes. Mas será que perdemos alguma coisa quando encontraram dinheiro na cueca de ex-assessor parlamentar? Prosseguimos...
Bastou-se saber, através do You Tube, do feito da prozinha que logo deram um jeito de substituí-la... certamente porque não sustentou a imagem esperada pelos membros da escola nem pelos pais. Será que o que ela aprendeu em 4 anos de graduação não conta mais, foi tudo por água abaixo? Será que ela ensinava às crianças e à sua filha a dança do “Todo enfiado”?
O professor é um santo no Brasil, não pode errar nunca, e ganha muito bem por isso. Professor não dança, não fuma, não bebe álcool; professor não faz sexo, não xinga, não vai a festas; professor não pode vestir uma roupa diferente do seu guarda-pó, professor não é gente. O professor brasileiro ganha muito bem para sustentar essa imagem, só lhe falta uma coisa no seu Estatuto do Magistério: um espaço no céu, já que ele é santo, e, em seu currículo, estão todas os sermões para salvar essa sociedade. Por outro lado, para formar uma banda de pagode nem é preciso estudar (muito)... Estudar pra quê, dirão os adolescentes? Basta ter criatividade e “visão de negócio” para produzir percussão, montar uma coreografia que represente atos ou posições sexuais e rabiscar no papel algumas palavras referentes ao corpo físico da mulher e do homem bem como tais posições... ah, e dá um título à música, como “Todo enfiado”.
A corda mais forte
Mas voltemos ao outro lado da corda. Enquanto pais hipócritas exigem que uma professora seja expulsa de seu trabalho acusada de não servir de exemplo para a educação de seus filhos, estes mesmos pais podem ser políticos, empresários, enfermeiras, militares, cantores, médicos, engenheiros, pedreiros, motoristas, manobristas, jornalistas, pastores, advogados etc. que, diariamente, percebemos que, em diversas ocasiões, também não servem de exemplos aos jovens. - Educação se começa em casa, dizem por aí! - Não nos esqueçamos que a tal professora lecionava em escola privada, rede onde boa parte dos filhos da elite brasileira estuda.
Quantos políticos respaldados no discurso da política limpa e da democracia brasileira estão envolvidos com a corrupção e a lavagem de dinheiro público? Quantos empresários sonegam impostos ou criam empresas-laranja para alimentarem o contrabando nacional e internacional de mercadorias ilícitas? Quantos médicos e enfermeiros já foram cúmplices no roubo de bebês em hospitais quando não cometeram outros crimes, por exemplo? Quem nunca ouviu falar de crime organizado no Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia , Pará e outras capitais envolvendo militares? Quantos advogados estão envolvidos em organizações criminosas, corrupção, tráfico de influência, tráfico internacional de drogas? Quantos padres e pastores já cometerem o crime da pedofilia quando não outros? Enfim, quantos pais e mães neste país não cometem e cometeram algum erro capaz de envergonhar a sociedade e deseducar as crianças?
O buraco é mais embaixo
Está mais do que na hora, neste século XXI, de pararmos de atirar a pedra nos pequenos e juntarmos as pedrinhas, contabilizando nossos erros e os de muitos profissionais responsáveis pela estrutura educacional do país. Está na hora de começarmos a não dar audiência aos estilos musicais cariocas, paulistas, baianos, pernambucanos, cearenses, gaúchos que deseducam os jovens, que ridicularizam a imagem da mulher brasileira, que sustentam, em seus discursos, a vulgaridade do exotismo brasileiro, e que promove um turismo sexual, economicamente, muito lucrativo. Está na hora também de o Ministério da Educação e o da Cultura (antes um só Ministério) desenvolverem políticas capazes de fazer da música um meio de emancipação dos indivíduos - que não têm pensado mais sobre seus conteúdos, mas apenas os absorvem e dançam, como a professora que acabou dançando não mais na boca da garrafa, mas na garrafa inteira. Se o MEC tem controle dos livros didáticos sobre seus conteúdos bem como o currículo dos cursos de educação básica e superior, por que os Ministérios da Cultura e da Comunicação não passam a acompanhar mais de perto a funcionalidade da música e, da mesma maneira o papel da mídia de modo geral? Ah, perdão, esqueci da Liberdade de Expressão - tão cara a esta sociedade santa!
Sempre soube que, durante o percurso de minha luta, haveria pedras no caminho e flores às margens. Quando as pedras acertavam meus pés, eu sentia dor, mas logo o perfume das flores me curava. Quando as pedras eram grandes nas ladeiras, eu as usava para descansar um pouco – ou sentado sobre ela ou de pé - enquanto mirava o horizonte preenchido de margaridas.
Percebi, então, que as pedras no meu caminho só tinham dois destinos: ficavam paradas, imobilizadas, ou rolavam-se sempre para baixo, deixando o meu caminho livre – elas, apesar de serem mais duras que as flores, não têm força de vida. As flores, ao contrário, são diferentes: perfumam meu caminho e embelezam meu horizonte. Isso só me deu e ainda dá força para continuar o rumo.
Eis porque devo escavar as palavras... e o farei a golpe de enxada se necessário, já que nessa arqueologia do saber, tenho vontade.
O que, para muitos, a atividade escrita serve apenas para representar pensamento, tramitar atividades oficiais ou preencher pastas e arquivos, para mim é muito mais que isso. Considerações desse tipo reduzem a palavra a mais insignificante função, uma vez que, dessa forma, se poderia substituí-la por qualquer outra coisa capaz de expressar ideias, o que não é o caso.
Hoje, com as inovações técnico-científicas, cuja virtualidade do dizer adquire uma nova forma de relações humanas, a palavra, o discurso, o pensamento, os conceitos, as ideologias, os enunciados, as relações de poder... tudo isso simplesmente adquiriu novos sentidos e fez a língua do homem ser revestida de mais valor, embora poucos são os que pensem assim. Mas a palavra é o fenômeno ideológico por excelência, já dizia o russo Mikhail Bakhtin no início do século passado.
Certa feita, ao me ver defendendo a palavra como instrumento-saber privilegiado entre as diferentes formas de relações sociais, um contador de história oficial me perguntou com tom irônico:
- Mas o que é que vocês linguistas veem tanto nas palavras que os outros não conseguem e vivem dizendo, desdizendo, remontando-as, escavando-as a golpe de enxada?”
Respondi-lhe:
- Queremos descobrir a história dos homens, essa história que você conta, queremos ver os homens, dar-lhe sentido em seu tempo... queremos ensinar os homens a ler o saber, a sentir o sabor, não procurando o conhecimento em cada palavra solta nos dicionários, mas observando o modo em que elas foram arranjadas e acorrentadas pelas mãos de quem a teceu nos mais diversos gêneros.
- Achei bonito isso, mas não entendi, disse ele.
Foi quando concluí:
- O bonito que você destaca faz parte da arte do dizer, do modo como eu disse e como você as vê; mas a compreensão só é possível quando se passa a tomar o texto não como representação de meu pensamento, de uma história aquém das palavras, mas como o próprio pensamento, a própria história construída por mim, por ti e, sobretudo, com arte e saber.
Queria dizer com isso que a vontade de saber (utilizando-me da expressão do filósofo francês Michel Foucault) se faz pela linguagem, e a palavra, nesse aspecto, adquire um status com e através da qual, senão na qual, se luta, se dita, se cumpre, se mata, se vive. Diante disso, não consigo pensar sem que não me venha as palavras assim como nada compreendo se elas não estiverem ao meu alcance, e garanto que um indivíduo que nasceu desprovido das faculdades para o domínio da palavra escrita ou oral consiga pensar sem que possa ter outro meio capaz de relacionar-se com o outro e fazer-se entender e produzir sentido.
Logo, a escrita, a meu ver, é uma arte que, em se tratando de relatar uma composição farmacológica ou um romance de grandes aventuras, por exemplo, se define pelos indivíduos que a manipulam. Não há homens sem palavras (ou qualquer outro material semiológico), não há história sem homens, assim como não há história separada das palavras. Os três são indissociáveis para o que se concebe como entendimento humano. Por essa razão, é preciso espalhá-las no mundo como quem semeia sementes de girassóis para que os herdeiros de nossos genes aprimorem nossos grandes feitos, mas jamais levem consigo as cinzas da ignorância que acabem pairando sobre os escombros desse tempo.
ANTES que me acusem ou atirem a primeira pedra, defendo-me: não conheço nada de música, mas sei o mínimo necessário para identificar som, melodia, ritmo ou letra que tenham sido bem trabalhados. Pra mim, avaliar se uma arte é boa ou ruim é uma questão que precisa, entre outros quesitos, verificar forma, contudo, expressão, técnica e, sobretudo, capacidade de transformar os interlocutores. Por que essa minha retórica “fora de cena”? Porque faz 52 dias que não ouço pagado, arrocha ou outro estilo similar tocados na BA. Não disse que não há outro ritmo, mas estes se sobressaem devido ao fato de ali ser o grande nascedouro.
MAS hoje, pertinho de casa, Praça XV de novembro, São Carlos, entre as 16 e 19h, tive a oportunidade de reviver algumas composições musicais clássicas do Chorinho e do Samba, além de outras canções folclóricas. Na oportunidade, três grupos de músicos - DóBemol, Cortesia da Casa e Formigueiro – formados por estudantes e professores de música da UFSCar apresentaram-se gratuitamente canções do samba e choro. O objetivo foi, antes de tudo, comemorar o dia do choro que ocorre em 23 de abril.
NA oportunidade, pude ouvir composições de Chiquinha Gonzaga, Cartola, Pixinguinha, Sivuca, Chico Buarque (vivo) e outros me fizeram fazer uma ponte entre cantores imortais e alguns fazedores de funk carioca, ou arrastadores de trio que esbanjam sucesso e dinheiro nos carnavais baianos.
PERGUNTEI-ME nos intervalos entre a apresentação de um grupo e outro: que legado musical estes cantores deixarão a fim de que mais tarde, quando não estiverem mais aqui, revivam seu repertório pra fazer-lhes uma digna homenagem? Talvez Pagod’Art, Pisirico,Parangolé, bem como funkeiros e arrocheiros espalhados por aí deixem seus repertórios pra que seus admiradores as usem em praça pública, e não as enterrem junto. Ou será que o “Dói um tapinha não dói” ainda sobrevive?
ENFIM, esse domingo à tarde não poderia ser melhor pra os transeuntes da Praça XV, local em que muitos pararam de pé ou sentados pela grama pra assistir aos três grupos. Músicos e públicosforam movidos por melodias que, por muito, vão se manter em nossas memórias, porque dizem alguma coisa que nos toca e a alma.
jr
(Imagem: capa da Enciclopédia da música brasileira: choro e samba, de Zuza Homem de Mello, 1a. ed. Publifoha:2000)
Depois de 15 dias sem escrever sequer uma palavra nesse blog, esta semana não pode começar no branco. Diante disso, farei três singelas homenagens como forma de pagamento de minhas dívidas comigo mesmo nestes últimos dias na Bahia. É possível? Claro que é! Afinal, se há alguém que me deve muito, esse alguém sou eu mesmo. Aos poucos vou me pagando.
O tema dessa homenagem é Educação, e a cada ser homenageado vou atribuir a marca MIME. O nome tem origem no conceito platônicoMimesis, que, grosso modo, significa representação da natureza mediante fazer artístico. Mas aqui há duas acepções básicas para tal palavra: mimo e sigla (Modelo Inteligente para o Melhor da Educação).
O primeiro MIME é Girlene Lima Portela (dispensam-se aqui biografia e currículo). Um ser humano que, antes de saber que iria ser grande, simplesmente pensou em crescer tendo como cajado a educação que move indivíduos. Antes de ser doutora foi senhora, antes de ser mãe, foi filha, antes de ser professora foi estudante, antes de ser acadêmica foi e continua sendo uma mulher simples, cujo coração pulsa forte e nos contagia alegremente.
Não precisou muito ir além - e ao longe - pra entender que educação se faz com afeto, dedicação, compromisso e, antes de tudo, vivência. Sim! Ela viveu e acompanhou quase todos os níveis de educação linguística de um indivíduo, no Brasil e exterior, isto é, das séries iniciais à pós-graduação, e, antes mesmo de fazer carreira no magistério, já havia lecionado para alunos residentes na zona rural.
Pensar na experiência da doutora tão comprometida com sua função associando sua prática a calos e rugas como eufemismos para idade é incorrer-se num profundo engano. Pró Girlene, como amigos, fãs e alunos-discípulo acostumam a chamá-la, pode ser confundida nos corredores da universidade como mais uma aluna, quanto ao nível de jovialidade e elegância. Não há calos nem rugas, há apenas vontade de ensinar que seus alunos se comprometam com uma educação capaz de trazer luz às pessoas, mesmo àquelas que já nem acreditam que existem lâmpadas por perto.
Quer conhecer um pouco do projeto de Dra. Girlene Portela? Então acesse o sitenuma nova aba e continue no Palatus.
jr
Fonte: Imagens: fotos do arquivo pessoal e logomarca disponível no site oficial.
A cançãoSe hoje me fizessem uma pergunta simples em alemão como Wie spät ist es?, provavelmente gelaria antes de buscar uma fajuta tradução para o inglês, já que tal questão traz uma estrutura linguística parecida com a língua de William Shakespeare. Em português, nem em sonho! Bem, mas só pensaria em What time is it? quando o interlocutor já nem mais se lembrasse de sua pergunta. Percebe-se então minha total ignorância acerca da língua de Johann von Goethe e Karl Marx.
Para quem acredita que a pronúncia do alemão causa estranhamentos e um certo impacto auditivo dado o grau de violência sonora aos ouvidos, sugiro ouvir músicas interpretadas por Kurt Xavier Naidoo. Além de trazerem uma melodia leve, sentimental e romântica, provocam em nós (pelo menos sinto isso) um misto de diferentes sensações. Às vezes, sinto-me feliz, amante, vivo; outras, carente, saudoso, solitário.
Mas, a música Und Wenn ein Lied (E se uma canção), 2004 - que muito lembra um hino religioso – tem algo de especial, inexplicável! Sua melodia (não a letra) deixa implícito um convite irrecusável a qualquer casal, que se encontra numa sala ampla regada a luz turva, a viajar numa dança a passos lentos. Homens ou mulheres, lá vai uma dica: pés firmes para não pisar o outro e mãos atentas aos botões da roupa do parceiro(a).
O intérprete
Xavier Naidoo, de ascendência indiana, nasceu em 1971 em Mannheim, Alemanha. O cantor e compositor interpreta em alemão e, vez ou outra, em inglês, e traz em algumas de suas canções letras que manifestam teor religioso-cristão. Ele tem apresentado trabalhos em estilos bem diferentes como R&B, pop e hip hop. Xavier ganhou bastante popularidade a partir de 2000 quando fez parte de grupos como Söhne Mannheims, Irmãos e os Detentores. Mas foi com a canção Sie sieht mich nicht - apresentada na versão alemã da trilha sonora do filme para Asterix – que passou a ser mais conhecido mundialmente.
O vídeo
Como acostumo a fazer uma vez por mês num final de semana, fica como sugestão o clipe da música que nos serviu de título para este texto. Assistam-lhe e palateiem se assim o desejarem. Espero que gostem!
(Foto: Joca Moreira - pôr do sol in Morro de São Paulo,BA,Brasil)
Mudanças, mundanças, mutanças... Sempre nos perturbam. Os jovens lutam por mudanças: do comportamento conservador dos pais às atitudes repressoras do sistema que rege a sociedade. Os velhos esperam por mudança: do valor da aposentadoria que mal dá pra pagar os exames periódicos aos planos de saúdes que cada vez mais lhes desejam uma “passagem dessa pra melhor.” As mulheres sonham com homens mais atenciosos enquanto eles, talvez, as desejem compreensivas e menos intolerantes. E eu? Como encaro as mudanças?Penso que mudar é normal e até é bom que haja, senão a vida para.
Este mês será de mudança. Tudo agora é pensado em torno dela: mudança de lugar, de cidade, de estado, de hábitos, de horário, alimentação; vizinhança, transporte, trabalho (que trabalho?); mudança de nível, pensamento, ideias (sem agudo), de ortografia, leituras; mudança de amigos, celular, casa, rua etc. enfim, tenho um mês pra acostumar meu cérebro às novas mudanças que estão por vir. Ah, e como se não bastasse, esse mês só tem 28 dias, nem mais nem menos.
Então para me adaptar às novas rotinas a partir de março, melhor é começar pelo Palatus agora. Vocês já devem ter notado, amado leitor (sim, eu sei, isso é do Bruxo), que fiz uma bagunçada por aqui. Comecei pelo nome menos latinizado: Palatus divorciou-se do Colirius. Depois, uma rebocada na parede ali, um tapa buraco desse lado, uma fotografia na sala de entrada, fotos espalhadas lá no fundo...e o Palatus vai ganhando mais vida. Ainda não estou satisfeito, nunca estou, e isso é meu maior problema, mas tenho medo de arriscar uma mudança. Isso mesmo! Tenho medo de mudar sem pensar mil vezes nas consequências. Já tentei mudar várias vezes o design deste blog, esse é outro desafio, mas na hora de salvar, eu páh cancelo, e tudo volta ao que era.
Oh amigos, mudo ou não mudo o design de nosso Palatus? Eis o meu conflito. Deem-me uma luz!
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