segunda-feira, 27 de abril de 2009

Um choro na praça não dói

ANTES que me acusem ou atirem a primeira pedra, defendo-me: não conheço nada de música, mas sei o mínimo necessário para identificar som, melodia, ritmo ou letra que tenham sido bem trabalhados. Pra mim, avaliar se uma arte é boa ou ruim é uma questão que precisa, entre outros quesitos, verificar forma, contudo, expressão, técnica e, sobretudo, capacidade de transformar os interlocutores. Por que essa minha retórica “fora de cena”? Porque faz 52 dias que não ouço pagado, arrocha ou outro estilo similar tocados na BA. Não disse que não há outro ritmo, mas estes se sobressaem devido ao fato de ali ser o grande nascedouro.

MAS hoje, pertinho de casa, Praça XV de novembro, São Carlos, entre as 16 e 19h, tive a oportunidade de reviver algumas composições musicais clássicas do Chorinho e do Samba, além de outras canções folclóricas. Na oportunidade, três grupos de músicos - DóBemol, Cortesia da Casa e Formigueiro – formados por estudantes e professores de música da UFSCar apresentaram-se gratuitamente canções do samba e choro. O objetivo foi, antes de tudo, comemorar o dia do choro que ocorre em 23 de abril.

NA oportunidade, pude ouvir composições de Chiquinha Gonzaga, Cartola, Pixinguinha, Sivuca, Chico Buarque (vivo) e outros me fizeram fazer uma ponte entre cantores imortais e alguns fazedores de funk carioca, ou arrastadores de trio que esbanjam sucesso e dinheiro nos carnavais baianos.

PERGUNTEI-ME nos intervalos entre a apresentação de um grupo e outro: que legado musical estes cantores deixarão a fim de que mais tarde, quando não estiverem mais aqui, revivam seu repertório pra fazer-lhes uma digna homenagem? Talvez Pagod’Art, Pisirico, Parangolé, bem como funkeiros e arrocheiros espalhados por aí deixem seus repertórios pra que seus admiradores as usem em praça pública, e não as enterrem junto. Ou será que o “Dói um tapinha não dói” ainda sobrevive?

ENFIM, esse domingo à tarde não poderia ser melhor pra os transeuntes da Praça XV, local em que muitos pararam de pé ou sentados pela grama pra assistir aos três grupos. Músicos e públicos foram movidos por melodias que, por muito, vão se manter em nossas memórias, porque dizem alguma coisa que nos toca e a alma.

jr
(Imagem: capa da Enciclopédia da música brasileira: choro e samba, de Zuza Homem de Mello, 1a. ed. Publifoha:2000)

4 comentários:

Lidi disse...

Que maravilha, Nilson! Saudade de você, amigo! Um abraço!

Rubervânio Rubinho Lima disse...

Olá Baiano bom de escrivinhações...
Eu tô com uma saudade da peste de tu também, rapaizi...
"Vem logo sentir o aroma do cocô de vaca, no currá. Vem para comer a buchada trazida quentinha da roça" (querendo parafrasear Eurico Alves em "Elegia a Manoel Bandeira")

Meu caro amigo,
Realmente, esse nosso mundinho Brasilis precisa de mais eventos como esse aí, nus Sumpalu, pois não estamos conseguindo acertar nenhum tiro nesses PAGODES que se apresentam por aqui (e por aí, quem sabe)
Um abraço e, não se preocupe que, assim que a UEFS fizer o restante dos livros, que está me devendo, por causa de uma bendita cola, eu mando para seu novo endereço, junto com três quilos de rapadura e dois de farinha...)
Um abração, cangaceiro do Sul

Palatus disse...

Eita amigo presente arretado! Com essa história de rapadura e farinha, tu que me matar de uma veizzz é? Eu pensa todo dia em comer algo diferente, pimenta malagueta e farinha com arroz e jeijão, e tu me com essa conversa pra atiçá minhas vontades...oh, amigo, a uefs vai te dar esses livros,é só ficar no pé. Ah, o meu livro, assim que tiver por aí eu dou um exemprá pra tu, homi!
Um outro abraço, homi brabo do sertão!

Fabio Menezes disse...

Danço e curto pagode em festa esporadica, mais pra acabar com o pagode, iria ter que fazer uma paralização federal. Como isso não é possivel entao vamos começar tudo outra vez. Agora parabelizo aos pequenos grupos que resgata a verdadeira musica!

Abçs....