Quinta-feira, 21 de Maio de 2009

Segunda-feira, 27 de Abril de 2009

Um choro na praça não dói

ANTES que me acusem ou atirem a primeira pedra, defendo-me: não conheço nada de música, mas sei o mínimo necessário para identificar som, melodia, ritmo ou letra que tenham sido bem trabalhados. Pra mim, avaliar se uma arte é boa ou ruim é uma questão que precisa, entre outros quesitos, verificar forma, contudo, expressão, técnica e, sobretudo, capacidade de transformar os interlocutores. Por que essa minha retórica “fora de cena”? Porque faz 52 dias que não ouço pagado, arrocha ou outro estilo similar tocados na BA. Não disse que não há outro ritmo, mas estes se sobressaem devido ao fato de ali ser o grande nascedouro.

MAS hoje, pertinho de casa, Praça XV de novembro, São Carlos, entre as 16 e 19h, tive a oportunidade de reviver algumas composições musicais clássicas do Chorinho e do Samba, além de outras canções folclóricas. Na oportunidade, três grupos de músicos - DóBemol, Cortesia da Casa e Formigueiro – formados por estudantes e professores de música da UFSCar apresentaram-se gratuitamente canções do samba e choro. O objetivo foi, antes de tudo, comemorar o dia do choro que ocorre em 23 de abril.

NA oportunidade, pude ouvir composições de Chiquinha Gonzaga, Cartola, Pixinguinha, Sivuca, Chico Buarque (vivo) e outros me fizeram fazer uma ponte entre cantores imortais e alguns fazedores de funk carioca, ou arrastadores de trio que esbanjam sucesso e dinheiro nos carnavais baianos.

PERGUNTEI-ME nos intervalos entre a apresentação de um grupo e outro: que legado musical estes cantores deixarão a fim de que mais tarde, quando não estiverem mais aqui, revivam seu repertório pra fazer-lhes uma digna homenagem? Talvez Pagod’Art, Pisirico, Parangolé, bem como funkeiros e arrocheiros espalhados por aí deixem seus repertórios pra que seus admiradores as usem em praça pública, e não as enterrem junto. Ou será que o “Dói um tapinha não dói” ainda sobrevive?

ENFIM, esse domingo à tarde não poderia ser melhor pra os transeuntes da Praça XV, local em que muitos pararam de pé ou sentados pela grama pra assistir aos três grupos. Músicos e públicos foram movidos por melodias que, por muito, vão se manter em nossas memórias, porque dizem alguma coisa que nos toca e a alma.

jr
(Imagem: capa da Enciclopédia da música brasileira: choro e samba, de Zuza Homem de Mello, 1a. ed. Publifoha:2000)

Sexta-feira, 20 de Março de 2009

Parada mais que necessária... obrigatória

(Foto:
Amigo(a),
Em breve voltarei com alguma novidade no Palatus, mesmo que seja uma das mais piegas.
Deixo aqui três sugestões de leituras:
"Agridoce, Lua" - o blog da Luana
"Mulher é desdobrável, eu sou" - o da Tati Martins
"Modus Operandi" - do Georgio Rios
Veja o link à direita.
P.S: Há muitos outros bons, mas desses assiti ao parto, e vi os primeiros sorrisos.
jr

Domingo, 22 de Fevereiro de 2009

MIMO 1

Depois de 15 dias sem escrever sequer uma palavra nesse blog, esta semana não pode começar no branco. Diante disso, farei três singelas homenagens como forma de pagamento de minhas dívidas comigo mesmo nestes últimos dias na Bahia. É possível? Claro que é! Afinal, se há alguém que me deve muito, esse alguém sou eu mesmo. Aos poucos vou me pagando.

O tema dessa homenagem é Educação, e a cada ser homenageado vou atribuir a marca MIME. O nome tem origem no conceito platônico Mimesis, que, grosso modo, significa representação da natureza mediante fazer artístico. Mas aqui há duas acepções básicas para tal palavra: mimo e sigla (Modelo Inteligente para o Melhor da Educação).

O primeiro MIME é Girlene Lima Portela (dispensam-se aqui biografia e currículo). Um ser humano que, antes de saber que iria ser grande, simplesmente pensou em crescer tendo como cajado a educação que move indivíduos. Antes de ser doutora foi senhora, antes de ser mãe, foi filha, antes de ser professora foi estudante, antes de ser acadêmica foi e continua sendo uma mulher simples, cujo coração pulsa forte e nos contagia alegremente.

Não precisou muito ir além - e ao longe - pra entender que educação se faz com afeto, dedicação, compromisso e, antes de tudo, vivência. Sim! Ela viveu e acompanhou quase todos os níveis de educação linguística de um indivíduo, no Brasil e exterior, isto é, das séries iniciais à pós-graduação, e, antes mesmo de fazer carreira no magistério, já havia lecionado para alunos residentes na zona rural.

Pensar na experiência da doutora tão comprometida com sua função associando sua prática a calos e rugas como eufemismos para idade é incorrer-se num profundo engano. Pró Girlene, como amigos, fãs e alunos-discípulo acostumam a chamá-la, pode ser confundida nos corredores da universidade como mais uma aluna, quanto ao nível de jovialidade e elegância. Não há calos nem rugas, há apenas vontade de ensinar que seus alunos se comprometam com uma educação capaz de trazer luz às pessoas, mesmo àquelas que já nem acreditam que existem lâmpadas por perto.

Quer conhecer um pouco do projeto de Dra. Girlene Portela? Então acesse o site numa nova aba e continue no Palatus.

jr
Fonte: Imagens: fotos do arquivo pessoal e logomarca disponível no site oficial.

Sábado, 7 de Fevereiro de 2009

Und Wenn ein Lied

video
A canção Se hoje me fizessem uma pergunta simples em alemão como Wie spät ist es?, provavelmente gelaria antes de buscar uma fajuta tradução para o inglês, já que tal questão traz uma estrutura linguística parecida com a língua de William Shakespeare. Em português, nem em sonho! Bem, mas só pensaria em What time is it? quando o interlocutor já nem mais se lembrasse de sua pergunta. Percebe-se então minha total ignorância acerca da língua de Johann von Goethe e Karl Marx.

Para quem acredita que a pronúncia do alemão causa estranhamentos e um certo impacto auditivo dado o grau de violência sonora aos ouvidos, sugiro ouvir músicas interpretadas por Kurt Xavier Naidoo. Além de trazerem uma melodia leve, sentimental e romântica, provocam em nós (pelo menos sinto isso) um misto de diferentes sensações. Às vezes, sinto-me feliz, amante, vivo; outras, carente, saudoso, solitário.

Mas, a música Und Wenn ein Lied (E se uma canção), 2004 - que muito lembra um hino religioso – tem algo de especial, inexplicável! Sua melodia (não a letra) deixa implícito um convite irrecusável a qualquer casal, que se encontra numa sala ampla regada a luz turva, a viajar numa dança a passos lentos. Homens ou mulheres, lá vai uma dica: pés firmes para não pisar o outro e mãos atentas aos botões da roupa do parceiro(a).

O intérprete

Xavier Naidoo, de ascendência indiana, nasceu em 1971 em Mannheim, Alemanha. O cantor e compositor interpreta em alemão e, vez ou outra, em inglês, e traz em algumas de suas canções letras que manifestam teor religioso-cristão. Ele tem apresentado trabalhos em estilos bem diferentes como R&B, pop e hip hop. Xavier ganhou bastante popularidade a partir de 2000 quando fez parte de grupos como Söhne Mannheims, Irmãos e os Detentores. Mas foi com a canção Sie sieht mich nicht - apresentada na versão alemã da trilha sonora do filme para Asterix – que passou a ser mais conhecido mundialmente.

O vídeo

Como acostumo a fazer uma vez por mês num final de semana, fica como sugestão o clipe da música que nos serviu de título para este texto. Assistam-lhe e palateiem se assim o desejarem. Espero que gostem!

jr
Fonte: Clipe, Letra/tradução, Imagem.

Segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2009

Mudanças doem, às vezes perturbam

(Foto: Joca Moreira - pôr do sol in Morro de São Paulo,BA,Brasil)
Mudanças, mundanças, mutanças... Sempre nos perturbam. Os jovens lutam por mudanças: do comportamento conservador dos pais às atitudes repressoras do sistema que rege a sociedade. Os velhos esperam por mudança: do valor da aposentadoria que mal dá pra pagar os exames periódicos aos planos de saúdes que cada vez mais lhes desejam uma “passagem dessa pra melhor.” As mulheres sonham com homens mais atenciosos enquanto eles, talvez, as desejem compreensivas e menos intolerantes. E eu? Como encaro as mudanças?Penso que mudar é normal e até é bom que haja, senão a vida para. Este mês será de mudança. Tudo agora é pensado em torno dela: mudança de lugar, de cidade, de estado, de hábitos, de horário, alimentação; vizinhança, transporte, trabalho (que trabalho?); mudança de nível, pensamento, ideias (sem agudo), de ortografia, leituras; mudança de amigos, celular, casa, rua etc. enfim, tenho um mês pra acostumar meu cérebro às novas mudanças que estão por vir. Ah, e como se não bastasse, esse mês só tem 28 dias, nem mais nem menos. Então para me adaptar às novas rotinas a partir de março, melhor é começar pelo Palatus agora. Vocês já devem ter notado, amado leitor (sim, eu sei, isso é do Bruxo), que fiz uma bagunçada por aqui. Comecei pelo nome menos latinizado: Palatus divorciou-se do Colirius. Depois, uma rebocada na parede ali, um tapa buraco desse lado, uma fotografia na sala de entrada, fotos espalhadas lá no fundo...e o Palatus vai ganhando mais vida. Ainda não estou satisfeito, nunca estou, e isso é meu maior problema, mas tenho medo de arriscar uma mudança. Isso mesmo! Tenho medo de mudar sem pensar mil vezes nas consequências. Já tentei mudar várias vezes o design deste blog, esse é outro desafio, mas na hora de salvar, eu páh cancelo, e tudo volta ao que era.
Oh amigos, mudo ou não mudo o design de nosso Palatus? Eis o meu conflito. Deem-me uma luz!
jr

Sábado, 31 de Janeiro de 2009

Sim

E tudo fica mais fácil quando se ouve um Sim. Você vai notar que a vida abre caminhos e as flores molduram as margens e perfumam o ar. Os rios perenizam-se na sutileza das ondas, que giram em redemoinhos. Depois de um Sim, você não terá pressa pra chegar mesmo sabendo que o temporal é iminente. Deixará que a água da chuva lave os cabelos e ajuste a roupa em sua pele. O sim renovará o sabor, e tudo que era deveras amargo se transpõe do fel ao mel. Você terá – na leveza das folhas que caem no outono e na sutileza da brisa das manhãs de inverno – o bailado da copa das árvores entregue ao vento. Então entenderá o mistério do jogo entre sombra e luz com os quais o sol brinca nas tardes de verão. Sim! Você vai perceber que tudo isso sempre esteve ali diante dos olhos, e o Sim não o trouxe até você, permitiu apenas que você o alcançasse na simplicidade ingênua do cotidiano.
Por Nilson Ribeiro & Rogério Godinho