"Andei pensando em alguma coisa,
mas preferi me calar;
então me pus a pressionar
algumas teclas
porque há algo em mim
que não para de pulsar
e até agora isso ainda
me inquieta."(jr)
O quanto é triste e vergonhoso ainda ouvir das pessoas uma manifestação de preconceito, seja contra crença ou opção sexual, seja quanto grupo social ou étnico. Quando se o escuta de alguém que não tem formação escolar, diz-se que é por conta da falta de (in)formação... O que dizer de um povo que exclui, discrimina, preconceitua e mata na contemporaneidade? O que dizer de um povo que apresente leitura, formação acadêmica e oportunidade de refletir sobre tais questões num momento em que tanto se discute sobre respeito à diferença e necessidade de se conviver com a cultura do outro?
Num país que se instituiu, já há mais de 500 anos, sob a força e a luta de um povo negro em sua maioria - além de imigrante europeu, asiático e ameríndio – como encarar enunciados racistas que apenas expressam uma ignorância humana desmedida capaz de segregar grupos e provocar dor? Falo em dor porque, mais que feridas seculares sofridas na pele de um escravo, o povo preto - herdeiro daquele - ainda sente suas marcas cravadas na voz e nas palavras daquele que o renega, o exclui, o discrimina... e o relega à condição de inferior, de improdutivo, de incapaz de atender aos ideias de uma cultura midiatizada sob a ordem de uma beleza construída, mas jamais vivida no real.
A dureza do racismo se manifesta nas práticas simbólicas diariamente neste Brasil que, sem mirar-se no próprio espelho de sua história, ataca o outro com um gesto, uma palavra, uma torcida de olhar, um silêncio, uma eliminação em entrevista por conta da cor, um salário menor, um papel secundário num filme, uma piada de bom ou mau gosto. Há quem diga que no Brasil não exista manifestação de racismo... Mas basta recorrer às marcas simbólicas que traduzem o pensar deste povo, à semiologia que revela sua cultura, à história e o próprio silêncio de quem “prefere se calar” ou fechar os olhos para se notar o quanto o racismo está ao nosso lado quando não dentro de nós mesmos.
É triste sair por ir e sentir qualquer gesto de desprezo, mesmo que sutil, contra a minha diferença, a sua diferença, a diferença de nosso outro, porque pior que seus efeitos é a falta de fundamento lógico e científico que legitima a recorrência do racismo e da discriminação pela cor, sexo, religião, etc. O pior de tudo é que as cicatrizes de uma vítima do racismo e do preconceito só se apagam quando o outro percebe que ele nada tem a mais e nem é melhor nem pior que o negro, o pardo, o índio, o gay, o branco, o pobre capaz de lhe acender à condição de ser sobreumano.
Só consigo pensar num ser humano capaz de banir o pensamento e as práticas nazistas e, esquecendo-os, deixar sair suas vozes racistas via percurso da própria contradição humana. Visto dessa maneira, é neste trajeto que encontro o povo brasileiro caminhando - não para construir um país melhor, mais crítico, mais educado e produtivo e menos distante da violência física e simbólica – mas para duas bolhas: a do eu e a do outro; a do negro e a do branco. Talvez com o tempo, quando o homem estiver só em suas bolhas, vai perceber que sua vida não faz mais sentido, já que não tem mais o outro para sentido lhe dar. Se continuarmos assim, a frase do recentemente falecido Claude Levi Strauss fará sentido: “O mundo começou sem o homem e vai terminar sem ele.”
Imagens e fonte (comentários de leitores do blog do A Tarde Online "Cidadão Repóster").
Resisti, resisti, resisti...mas dessa vez não teve jeito: mudei a cara do Palatus. Claro que gostava da cara antiga. Achava legal entrar na página e ser recebido com uma luz forte. Gosto de luzes, embora me sinta cego com seu excesso. Contudo, comecei a perceber que ele estava ficando envelhecido. Tenho uma concepção de blog como um gênero que não deve envelhecer, mas rejuvenescer a cada mudança, a cada postagem, a cada comentário, a cada visita nova. Então, pensando assim, tomei a seguinte decisão: vou dar um banho no Palatus uma vez por ano senão fica mofado. Para matar a saudade, eis a foto de até ontem...
É incrível como boa parte de pessoas sem criticidade política ama a arte da generalização, quando não particulariza ao extremo um ponto que deveria ser visto por mais de uma perspectiva. Não pretendo aqui defender nenhuma bandeira sobre política, partidos, eleitores ou outra questão semelhante. Quero apenas falar o quanto o tema da generalização me incomoda e serve para avaliar a postura superficial de muitos brasileiros que, dando uma de conhecedores de política, confundem as coisas. Também não me coloco em lugar de bom conhecedor do assunto nem cientista político, longe de mim, mas, sem querer ser modesto, me ponho no lugar de alguém atento às linguagens utilizadas para dizer alguma coisa quando o assunto se volta à política e aos políticos. Quando me refiro à linguagem, valem fotos, vídeos, textos escritos, falados, sincréticos, charges, matérias jornalísticas, filmes, capas de Veja, outdoors...
Circula, no Youtube, até o momento, um vídeo muito interessante de 2 minutos e 23 segundos sobre o título Vou morar numa propaganda do Governo da Bahia - Jaques Wagner. Trata-se de uma crítica profissionalmente elaborada mostrando as contradições do governador que veiculou, em todo o estado, seus feitos durante seu mandato. Poupo o leitor das descrições de ambos os vídeos e a mim de analisar seus conteúdos.
Penso que o governo deve sim mostrar os resultados de seus projetos; é uma forma de prestar conta da administração pública e cumprir com as propostas dos tempos de candidatura.Penso também que o povo deve, sim, exigir que as diversas ações sejam efetivadas em suas cidades, municípios, ruas, região rural etc. E um vídeo como esse funciona como uma ferramenta eficaz para dizer que os problemas não têm sido resolvidos, que tais ações não têm atingido boa parte da sociedade como lhe é de direito. Que mais vídeos desse circulem, ao menos!
Entretanto, o que não vale é o espectador tomar o vídeo do governo como uma verdadeira mentira e o vídeo do Youtube, por exemplo, como verdade verdadeira. Assim se cai no que chamo de generalização ou no reducionismo. Até porque, em muito do que a linguagem expressa duas ou mais realidades, os embates ideológicos e os confrontos de poderes estão em voga.E, no caso em questão, não é diferente. O problema se dá mais ainda quando o povo começa a enunciar: “Culpa do PT”, “A BANDIDAGEM TOMOU CONTA DA BAHIA”, “QUE TRAGÉDIA DE GOVERNO”, PT fudeu com a Bahia assim como ta fudendo Fortaleza”, “esse é o BraZil do PT”, “PT nunca mais”, “Quem manda votar no PT”, “O pessoal do PT costuma ler Marx demais. Assim fica mais fácil alienar o povo”, como estas retiradas dos comentários no site.
Gente!, o problema não está no PT, afinal de contas se puséssemos todos os projetos idealizados pelos partidos, se lêssemos todos os documentos que os regem, o Brasil seria perfeito. Seria preciso até fazer uma espécie de vestibular para os estrangeiros entrarem aqui, porque todos iriam querer vir para cá. Acho até que seria preciso fazer uma Muralha para o Brasil. Seria o céu; o inferno seria o Iraque, os EUA, o Afeganistão, a França, a Coreia, por exemplo. Mas não é o caso. O problema está no próprio povo brasileiro (com suas ressalvas), pois não consigo pensar em povo brasileiro sem pensar em políticos e eleitores, sem partidos e sem propostas, sem corrupção e sem políticos honestos e com boas intenções. - Não nos esqueçamos que político também é povo brasileiro. - Mas, como se diz que de boas intenções o inferno anda cheio, talvez seja por isso que muitos de nós não acreditam mais no governo e esquecem-se das mazelas do governo anterior e brevemente em quem votou.
Não vou defender político A ou B e muito menos o governador Jaques Wagner, que precisa provar ser melhor do que o grupo carlista, imperador por décadas no estado baiano, e deixou seu vírus com o DEM(o). Alguém esqueceu que muitos vídeos mostrando uma Bahia virtuosa, senão um paraíso, já eram mostrados no governo de César Borges, de “a-acm salvadooooooooor, a-acm meu amooooor”, Paulo Solto (não necessariamente nessa ordem)? O fato é que os três governadores anteriores a Wagner - nem falo dos outros porque eu ainda era muito criança –, tal como o próprio, construíram sim alguma coisa, deixaram de levar aos baianos outras centenas de ações, mostraram vídeos embelezados por uma retórica pró-voto e fincaram o Estado a tantos anos de atraso e lentidão. A prova disso se vê com o metrô de Salvador.
Por outro lado, quando se atribui a culpa generalizada ao PT, se esquecem que o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB) - que não é PT – mostrou uma “cidade maravilhosa” para a candidatura da capital carioca nas Olimpíadas de 2016 e escondeu uma cidade da violência capaz de abaterem helicóptero militar, por exemplo; esquecem-se que José Serra do PSDB (que não é PT) governa o estado mais rico do país, mostrando uma SP perfeita, mas não conseguiu reduzir os problemas na área de saúde e segurança, diminuir o crime provocado pelos menores com a Fundação Casa/FEBEM,melhorar a qualidade do ensino e reduzir a violência na escola, combater o tráfico - ao contrário do que seus vídeos mostram.
De 27 cadeiras de governador no país (incluída a do DF), apenas 5 (Acre, Bahia, Pará, Piauí e Sergipe) têm representante do PT, contra 9 do PMDB, sem citar outros partidos. Pergunto: em qual(ais) destes estados podem ser veiculados vídeos capazes de representar a realidade da administração do governo sem que se possa notar as mazelas ocultadas por eles? Nenhuma, certamente. O que não vale é atribuir ao partido X nem a Y a culpa de uma administração mal qualificada – por exemplo, aquela vista na BA ou no Rio – quando na verdade o descaso parte do grupo político que governa o estado. Se fosse apenas uma questão de partido, o que poderíamos dizer do governo Lula que passou por fortes abalos, crises e escândalos (mensalão, correios, cuecas etc.) perdendo, nestes dois mandatos, quase todos os ministros escolhidos “sabiamente” a quase-dedo? Há quem não admita que o Brasil nunca teve um presidente como este nordestino. No entanto, diante de tantos problemas que não nos carece enumerá-los, qual anterior pode levar políticas para atender a populações desprovidas de ações mínimas em grande números de pessoas? Quem criou antes um projeto de ampliação e implantação de universidades federais e escolas técnicas pelo país oferecendo mais oportunidade e inclusão de jovens? Quantos brasileiros estão com nível superior ou obtendo? Obviamente quantidade não é mesmo qualidade, mas, levando em conta a “boa vontade” da qual falei antes “enchendo ou não o inferno”, percebe-se que o problema não está no partido, mas na conjuntura política do país e de suas unidades federativas, cujos eleitores reclamam, criticam, esquecem, comparam, abominam, julgam, particularizam demais, generalizam sem refletir e acabam esquecendo-se - também – de três pontos importantes: a) são eleitores e responsáveis por levar candidatos ao poder como Wagner, Aécio, Maluf, Cabral, Yeda Crusius, Serra etc.; b) são passíveis de serem candidatos como qualquer cidadão que goze de direitos eleitorais; c) têm o voto como ferramenta de poder para mudar a realidade.
Uma coisa é certa: enquanto continuaremos não vendo o voto como importante mecanismo de poder, que só funciona coletivamente para mudar a realidade política do Brasil, eles vão continuar usando a linguagem - seja ela em forma de vídeos ou em outra materialidade - como um importantíssimo mecanismo de poder que, silenciosamente, vai apagando memórias e construindo outras, quando, de fato, o objetivo é continuar nos enganando. Atentemo-nos para isso e evitemos, pois, as reduções de leituras políticas ou as generalizações sem fundamentos, porque é isso que muitos querem: que continuemos medíocres por toda a vida.
Contemplar o mundo e o que nos cerca não é uma atitude tomada por qualquer pessoa - e tem sido cada vez menos comum. Contemplar o mundo também não é uma questão que depende de crenças ou de ensinamentos, é de vontade que nasce de nós, de cada um de nós. Por outro lado, em meio às técnicas que moldam nosso comportamento na dinâmica da vida moderna, para contemplar o mundo não basta por o binóculo para ver sua beleza camuflada ao longe e em outros horizontes; basta dirigirmos os nossos olhares para logo ali, porque no instante do aqui está o lugar que se mantém ocupado por nós mesmos, impossível de ser visto por mim e por ti ao mesmo tempo. Talvez tenha sido por isso que o fotógrafo Marcello Lima, num gesto poético, materializou seu instante de percepção do mundo sancarlense num clic de luz, cor, palavras e olhar auxiliado pela noite e pelo tempo.
Contemple-se!
xxxx
as cores
que sinto
em luzes
e sombras
em forma
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o tempo
presente
que fica
xxx
fotograficamente
xxx
ao futuro
em síntese
na metáfora
do olhar
da alma
do lugar
na memória
xxx
xxx
Marcello de Castro Lima Jr. - é de São Carlos, São Paulo. Licenciado em Letras pela UFSCar e especialista em Fotografia pela UEL. (Veja outros trabalhos no Flickr do autor).
E quem disse que abrir porta de carro para uma dama é cafonice?
Andava eu meio desatento numa destas ruas tímidas da cidade luminosa de São Carlos. Ainda era cedo se levarmos em conta que às 19h não é hora para se encher os bares no sábado à noite! Mão única numa rua não muito plana. O vento frio levava minhas mãos gélidas aos bolsos do casaco e contrastava com o ar quente que saia de minha boca ‘esfumaçante’.
Brinquei um pouco com isso como um menino que descobre o lado bom do frio pela primeira fez. Em poucos segundos, transpus-me dali a outros lugares, às margens do Sena talvez, na velha Paris, tendo a meu lado uma dessas personagens cinematográficas de filmes de romance fajuto. (Às vezes, quando caminho sozinho à noite, por lugares que não me manifestam algum medo da violência urbana, apresenta minhas divagações).
Um pouco mais adiante, um fusca preto (modelo novo) passou por mim naquela rua calada e parou a dois quarteirões do semáforo, que permitia minha passagem. Vi então um rapaz sair do carro e dirigir-se a outra porta abrindo-a para a saída de uma moça, que segurava sua mão. Inicialmente, imaginei que se tratasse de uma mulher chegando do hospital talvez e devesse ser acompanhada com bastante cuidado. Todavia, notei que se tratava de uma bela moça em traje de cerimônia acompanhada de seu deferente parceiro.
Segui o rumo imaginando o destaque daquela linguagem quase anacrônica se não fosse a importância de sua funcionalidade nas relações afetivas. Obviamente, mandar cartas perfumadas ao outro, puxar a cadeira, abrir ou fechar a porta do carro para a parceira hoje serve apenas como histórias de nossas avós, motivos de piadas e risos e saudosismo de um tempo que não vivemos, mas que permanece no imaginário coletivo, na memória de leituras e de conversas antigas. Deve ter sido por isso que seria mais coerente para mim imaginar que o fato que me chamou a atenção só poderia tratar-se de um caso de saúde, não de um romantismo à moda antiga como apresentou aquele casal balzaquiano.
Num momento em que as notícias sobre violência contra a mulher são mais comuns, se eu dissesse que teria visto um homem atropelando dolosamente uma moça, talvez convencesse mais o leitor; no entanto, acredite, a cena romântica naquela rua pacata foi verdadeiramente um clássico da vida real.
As horas passam, o tempo é longo demais; o tempo de uma saudade não anda. Ele já não tem fim, ao menos para mim. Os tiques tacam meus ouvidos e apenas a saudade marca os dias pra te ver no calendário. Vou te esquecer? Não, jamais. Apenas quero não lembrar tanto na tristeza porque me faz incapaz - ao menos hoje - de evitar que a saudade me deixe em paz nestes segundos, nestes mundos. E o coração bate, bate, bate: tuntum tuntum tuntum contando o tempo para te ver mais outra vez, ma amie.
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Prometo!
*
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I'll be away for a...
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