sábado, 2 de agosto de 2008

No meio do caminho há uma pedra para ser tirada

Andei pensando: não vale a pena parar no meio do caminho simplesmente quando há algumas pedras espalhadas. Elas podem até servir de limites, mas o mais agradável é poder olhar por cima dos ombros e perceber como vão ficando pequenas até desaparecerem ao longe.

Essa reflexão pode parecer meio fútil e vazia, porém nasceu da própria condição deste blog. A última vez que postei aqui foi a cinco de janeiro deste ano. Passaram-se exatos cinco meses e vinte e sete dias. Quase seis meses! Durante esse tempo, perdi muito por não ter lido excelentes textos publicados por amigos brasileiros e estrangeiros em seus respectivos sitios. Eis uma lacuna irreparável... peço-lhes desculpas pela ausência. Por outro lado, diversas foram as razões que me levaram a não postar aqui neste período, mas vejo que não vale a pena citá-las. Confesso que a preguiça foi uma delas!

Hoje, ao ler por duas vezes o poema No meio do caminho, do célebre Carlos Drummond de Andrade, só me veio à mente o estado enfermo do Palatus et Colirius. Tinha que retirar a pedra do seu caminho e voltar a postar. Então, para retomar essa nova ‘era’, nada mais justo que começar com a simples (e nunca ingênua) obra de arte do poeta itabirense. É mais um Colirius para curar cegueiras.

No meio do caminho

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no mei do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

(Fonte:www.algumapoesia.com.br/drummond)

Um comentário:

Eliandra Machado disse...

Como você escreve bem, primo! Parabéns!!